Pastorais

O Livro de Rute

O autor do livro de Rute é desconhecido. A tradição rabínica afirma que o profeta Samuel é o autor do livro de Rute.

A história narrada no livro de Rute se passa na época dos juízes, que foi uma época de apostasia e descaso com Deus e sua aliança. O livro de Rute apresenta o caminho oposto do livro de juízes, pois mostra a lealdade de uma mulher moabita para com Noemi, sua sogra israelita, e seu Deus. Os moabitas eram descendentes de Ló, sobrinho de Abraão (Gn. 19:37). Eles ocupavam o território a leste do Mar Mor-to, e, na época da peregrinação dos hebre-us no deserto, eles demonstraram agres-sividade a Moisés e ao povo (Nm. 21-25).

O período dos juízes, sem sombra de dúvida, representou um momento muito negativo no que se refere à fidelidade à aliança por parte do povo de Israel. O livro de Rute mostra o contraste entre os grandes heróis do período dos juízes com uma simples família israelita. Foi justamente de uma dessas famílias em apuros que a fé em Deus foi preservada, e de onde veio o maior dos reis de Israel: Davi. Deus preservara esta família para manter seu nome em Israel, para mostrar sua lealdade e fidelidade à aliança realizada séculos antes.

O livro começa dando a entender que o período dos juízes passara, ou seja, as narrativas se passam no período dos juízes, porém foram escritas durante a monarquia, pois a genealogia, no fim do livro, sugere que os leitores conheciam o rei Davi.

O livro de Rute menciona os seguintes conceitos: A Fidelidade e lealdade de Deus; A lealdade em um ambiente de apostasia; O legado dos ancestrais do rei Davi; O Conceito do Resgatador.

A lei de resgate está no centro da narrativa do livro de Rute. De acordo com essa provisão, se um homem morresse sem deixar filhos, seu irmão devia se casar com a viúva e era obrigado a gerar um filho em nome do seu falecido irmão. Este sistema é chamado de levirato, e é descrito com detalhes em Deuteronômio 25:5-10. Este sistema preservaria as famílias, que não teriam um fim repentino. O costume do levirato também incluía o direito ao resgate de terras, conforme prescrito em Levítico 25:25-31; 47-55. A terra vendida a alguém poderia ser resgatada, comprada de volta por alguém da família. Estes costumes tinham o propósito de preservar as famílias e a terra, duas questões centrais da aliança.

Era direito e obrigação do parente consanguíneo mais próximo defender o nome de sua família e preservar seus bens. Isso se dava de diversas maneiras:

1) vingando a morte de um membro da família (Nm 35:19-21);

2) comprando de volta uma propriedade da família vendida para pagar um dívida (Lv 25:25);

3) comprando de volta um parente próximo que tivesse vendido a si mesmo como escravo para pagar uma dívida (Lv 25:47-49); e/ou casando-se com a viúva de um parente (Dt 25:5-10).

Estas leis se aplicavam aos parentes de acordo com a ordem especificada em Lv 25:49 (em primeiro lugar o tio paterno, depois seu filho, e depois outros parentes.

Cristo em Rute. Cristo é revelado no livro de Rute no modo como livro testemunha a legitimidade do reinado de Davi. Ao legitimar Davi, o Livro legitima Cristo com o grande Messias.

Ao mostrar a inclusão de Rute, uma gentia, como parte do povo de Deus, o livro antecipa a expansão do reino de Deus aos gentios durante o período do Novo Testamento. Assim como ela se tornou parte de Israel, gentios e judeus estão agora reconciliados com Deus num só corpo, por meio de sua união com Cristo (Efésios 2:16; 3:6).

O retrato ideal de Boaz, o resgatador de Rute, aponta para as consistentes declarações do Novo Testamento de que a igreja é a noiva de Cristo (Efésios 5:21-27; Apocalipse 19:1-8; 22:17). O amor intenso e abnegado que Boaz demonstrou por Noemi e Rute, aponta para o amor intenso e abnegado de Cristo por sua noiva, a igreja. O amor altruísta exemplificado magnificamente na pessoa de Rute e Boaz encontra sua máxima expressão na pessoa e obra de Jesus Cristo, o eterno resgatador. O resgatador era um intermediário para readiquirir as bênçãos e serve de exemplo para a Graça de Deus. O Novo Testamento aplica este conceito à ação de Cristo para com a Igreja.

Rev. Afonso Barbosa

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